O vídeo ficou lame, mas divirtam-se.
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Describe the city that you live in
Desde que cheguei no Japão, eu comuto entre ambientes internacionais. Soshigaya é um dormitório pra estudantes estrangeiros. Eu estudei japonês na Gaidai, a universidade de língua e cultura estrangeira de Tokyo com mais 13 estrangeiros na minha sala e em mais um monte em outras salas. O lab onde eu passo, atualmente, boa parte da minha semana tem 3 alemães, 3 portugueses, 1 indiano, 1 cingalês (google it) e 1 peruano. Meu orientador é austríaco. Que Tokyo que nada, minha vida aqui é em Babel, nego.
Tem suas vantagens. Graças a meus amigos do Chile, Nicarágua, Colômbia e Peru, aprendi espanhol. E posso dizer isso de verdade, posso botar no currículo algo além de "ler (pouco)". O inglês que eu tinha estudado por 8 anos (há anos), também melhorou 100%.
Desvantagens também, claro. O japonês melhorou menos do que deveria. Minha cabeça é um grande nó. Falo em português com minha amiga da Hungria, em espanhol com os brasileiros, em inglês com os japoneses e em japonês com a minha mãe. Tenho que pensar pra passar a marcha correta.
Mesmo com tanta mudança, quando me foi solicitado (de surpresa) a nota do TOEFL, o mesmo medo irracional que eu tinha dele no Brasil voltou. Documento necessário pra entrar na universidade. Por quê, meu Deus, por quê? Eu estou falando em inglês com eles, não é o bastante? Tenho plena consciência que falo inglês melhor que 90% da população japonesa, e eles ainda querem me aterrorizar com o TOEFL. Vão treinar pronúncia! Parem de falar LOBOT!
Isso foi há uns 2 meses atrás. Cheguei quase 1h mais cedo no local de prova. Acho que eu era o único estrangeiro. Era terrível, uma sala enorme, como um salão de festas cheio de mesas grandes com computadores em cima. Ou seja, eu não ia ficar numa salinha isolada do resto onde eu podia me concentrar. Eu teria que fazer provas de Listening e Speaking escutando, ao mesmo tempo, o inglês do país com segundo menor desempenho no TOEFL da ásia (só perde pro Laos).
Os organizadores iam mandando o pessoal entrar e começar logo, o que tornou tudo um Caos. Pra ajustar o microfone, no começo o computador pede, "Describe the city that you live in". Eu falei de Recife, claro, ele ajustou e pronto. Comecei a parte de Reading, mas o pessoal que foi chegando depois foi testando o microfone e cadê eu conseguir me concentrar na prova? Ainda mais quando eu escuto a voz de uma japonesa: "Describe the city that you live in. Describe the city that you live in. Describe (repete 15 vezes)". E depois outro: "I live in Tokyo. I live in Tokyo. I live in Tokyo (até cansar)". E eles não estavam sozinhos. LOBOT ATTACK.
No mais, você sabe inglês e tem medo do TOEFL? A prova é ridícula. Se você lê textos acadêmicos e consegue manter uma conversa razoável em inglês, não há porque ter medo. FALL INSIDE!
Tem suas vantagens. Graças a meus amigos do Chile, Nicarágua, Colômbia e Peru, aprendi espanhol. E posso dizer isso de verdade, posso botar no currículo algo além de "ler (pouco)". O inglês que eu tinha estudado por 8 anos (há anos), também melhorou 100%.
Desvantagens também, claro. O japonês melhorou menos do que deveria. Minha cabeça é um grande nó. Falo em português com minha amiga da Hungria, em espanhol com os brasileiros, em inglês com os japoneses e em japonês com a minha mãe. Tenho que pensar pra passar a marcha correta.
Mesmo com tanta mudança, quando me foi solicitado (de surpresa) a nota do TOEFL, o mesmo medo irracional que eu tinha dele no Brasil voltou. Documento necessário pra entrar na universidade. Por quê, meu Deus, por quê? Eu estou falando em inglês com eles, não é o bastante? Tenho plena consciência que falo inglês melhor que 90% da população japonesa, e eles ainda querem me aterrorizar com o TOEFL. Vão treinar pronúncia! Parem de falar LOBOT!
Isso foi há uns 2 meses atrás. Cheguei quase 1h mais cedo no local de prova. Acho que eu era o único estrangeiro. Era terrível, uma sala enorme, como um salão de festas cheio de mesas grandes com computadores em cima. Ou seja, eu não ia ficar numa salinha isolada do resto onde eu podia me concentrar. Eu teria que fazer provas de Listening e Speaking escutando, ao mesmo tempo, o inglês do país com segundo menor desempenho no TOEFL da ásia (só perde pro Laos).
Os organizadores iam mandando o pessoal entrar e começar logo, o que tornou tudo um Caos. Pra ajustar o microfone, no começo o computador pede, "Describe the city that you live in". Eu falei de Recife, claro, ele ajustou e pronto. Comecei a parte de Reading, mas o pessoal que foi chegando depois foi testando o microfone e cadê eu conseguir me concentrar na prova? Ainda mais quando eu escuto a voz de uma japonesa: "Describe the city that you live in. Describe the city that you live in. Describe (repete 15 vezes)". E depois outro: "I live in Tokyo. I live in Tokyo. I live in Tokyo (até cansar)". E eles não estavam sozinhos. LOBOT ATTACK.
No mais, você sabe inglês e tem medo do TOEFL? A prova é ridícula. Se você lê textos acadêmicos e consegue manter uma conversa razoável em inglês, não há porque ter medo. FALL INSIDE!
domingo, 17 de outubro de 2010
Trouxeste a chave?
Hoje eu acordei com o telefone do quarto tocando. É sempre uma experiência única de terror, porque ele nunca toca e acaba se tornando um objeto decorativo. Como você se sentiria se a estátua na sua sala de estar começasse a girar e tocar jingle bells eventualmente? Enfim, é um interfone, só o Office de Soshigaya (o dormitório) pode me ligar através dele.
Como obviamente não consegui atender fui lá pra saber o que era. O cara do Office me mandou voltar lá com a chave do quarto, que tinha ficado no quarto. Ao voltar pro quarto percebi que havia um aviso grudado na porta (antes despercebido) dizendo algo como: "Ligamos mais cedo por conta da chave. Traga a chave para o Office."
Um filme passou na minha cabeça. Nós recebemos uma chave ao chegarmos em soshigaya (claro, não iam nos deixar acampando na porta) e somos informados que há mais 2 cópias dessa chave no Office. Se você perder a sua, pode ir lá e pedir uma das cópias por 1000 ienes. Se encontrar a sua novamente no prazo de 1 mês, devolve a cópia e recebe o dinheiro de volta. Eu, brasileiro e demente, perdi a minha chave 2 vezes. Paguei as granas, não encontrei as originais. Um dos guardas da noite me ligou dizendo: "Não temos mais cópias. Favor fazer cópias e nos reabastecer." Fiz 2 cópias, entreguei a eles, até recebi o dinheiro de volta por isso.
O tempo passa, perdi a terceira chave (ÊÊÊÊ, tô no curso de PhD, galera!!), peguei uma das reservas, que era, também, uma das cópias que eu tinha feito. Mas dessa vez encontrei a minha(PhD, eu falei.), e na hora de devolver, o guarda disse que eu tinha que ficar com a cópia e não com a minha, porque a minha era a chave mestra. Depois de uma ligeira discussão do verbo porquenãomedisseramissoantes, aceitei e fiquei com a cópia. Fim do filme.
De volta ao Office com a chave, o tio me diz que é proibido fazer cópias de chaves. E que isso tinha sido dito e que eu estava errado e mimimi. Quando eu disse que tinha sido solicitado pelo guarda, ele me disse: Uso(mentira). Depois de 6 meses de Japão você aprende a não mandar tomar no cu, apesar de todo o meu ser estar direcionado a isso. Ato final da ópera: O tio jogou as cópias no lixo, disse que ia falar com os guardas e eu fiquei com a chave-mestra.
E se perder? Essa opção simplesmente não existe. Palavra de japonês.
Como obviamente não consegui atender fui lá pra saber o que era. O cara do Office me mandou voltar lá com a chave do quarto, que tinha ficado no quarto. Ao voltar pro quarto percebi que havia um aviso grudado na porta (antes despercebido) dizendo algo como: "Ligamos mais cedo por conta da chave. Traga a chave para o Office."
Um filme passou na minha cabeça. Nós recebemos uma chave ao chegarmos em soshigaya (claro, não iam nos deixar acampando na porta) e somos informados que há mais 2 cópias dessa chave no Office. Se você perder a sua, pode ir lá e pedir uma das cópias por 1000 ienes. Se encontrar a sua novamente no prazo de 1 mês, devolve a cópia e recebe o dinheiro de volta. Eu, brasileiro e demente, perdi a minha chave 2 vezes. Paguei as granas, não encontrei as originais. Um dos guardas da noite me ligou dizendo: "Não temos mais cópias. Favor fazer cópias e nos reabastecer." Fiz 2 cópias, entreguei a eles, até recebi o dinheiro de volta por isso.
O tempo passa, perdi a terceira chave (ÊÊÊÊ, tô no curso de PhD, galera!!), peguei uma das reservas, que era, também, uma das cópias que eu tinha feito. Mas dessa vez encontrei a minha(PhD, eu falei.), e na hora de devolver, o guarda disse que eu tinha que ficar com a cópia e não com a minha, porque a minha era a chave mestra. Depois de uma ligeira discussão do verbo porquenãomedisseramissoantes, aceitei e fiquei com a cópia. Fim do filme.
De volta ao Office com a chave, o tio me diz que é proibido fazer cópias de chaves. E que isso tinha sido dito e que eu estava errado e mimimi. Quando eu disse que tinha sido solicitado pelo guarda, ele me disse: Uso(mentira). Depois de 6 meses de Japão você aprende a não mandar tomar no cu, apesar de todo o meu ser estar direcionado a isso. Ato final da ópera: O tio jogou as cópias no lixo, disse que ia falar com os guardas e eu fiquei com a chave-mestra.
E se perder? Essa opção simplesmente não existe. Palavra de japonês.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Surreal, mas musical
Ando tendo sérios problemas em misturar sonhos com realidade aqui no Japão. Já imaginei ter encontrado pessoas que não encontrei, não ter falado coisas que falei, e até compromissos que não existiam (ao menos até fevereiro de 2012). Hoje, por exemplo, demorei muitos minutos para conseguir separar o que era realidade do que era produto da minha mente, diante disso:
Acordei com um impulso absurdo de comprar minha fantasia azul de soldadinho de chumbo, que iria usar no musical de natal, que é hoje, sexta-feira, onde todos devem ir fantasiados, afinal é carnaval. Eu era o único que não tinha ensaiado, mas tinha uma voz maravilhosa, como bem sabia a nossa líder, Fernanda Montenegro. Ela, por sua vez, além de cantar, dançar, interpretar, dava mortais sem mãos pra frente. Ao chegar atrasado no musical ela me perguntou se eu já tinha assistido Star Trek, porque eu ia cantar 'Beth', música do filme. Não tínhamos nenhuma coreografia ensaiada, mas eu e Rachel Berry tínhamos uma certa sintonia natural, então ia ficar tudo bem.
Tirando o fato de hoje ser quarta-feira, o resto foi bem difícil de identificar. Ainda me pergunto se realmente antes do Natal não temos uma apresentação em um teatro minúsculo, para o dia dos Pais.
Acordei com um impulso absurdo de comprar minha fantasia azul de soldadinho de chumbo, que iria usar no musical de natal, que é hoje, sexta-feira, onde todos devem ir fantasiados, afinal é carnaval. Eu era o único que não tinha ensaiado, mas tinha uma voz maravilhosa, como bem sabia a nossa líder, Fernanda Montenegro. Ela, por sua vez, além de cantar, dançar, interpretar, dava mortais sem mãos pra frente. Ao chegar atrasado no musical ela me perguntou se eu já tinha assistido Star Trek, porque eu ia cantar 'Beth', música do filme. Não tínhamos nenhuma coreografia ensaiada, mas eu e Rachel Berry tínhamos uma certa sintonia natural, então ia ficar tudo bem.
Tirando o fato de hoje ser quarta-feira, o resto foi bem difícil de identificar. Ainda me pergunto se realmente antes do Natal não temos uma apresentação em um teatro minúsculo, para o dia dos Pais.
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