terça-feira, 24 de maio de 2011

Manifesto Marconi

Semana passada, na aula de "Presentation in English"(pois é, surpresa, eu escolho cadeiras ridículas só pra ganhar crédito), o professor pediu pra que nos juntássemos em duplas e apresentássemos o coleguinha. E mais uma vez revivi a situação (já uma constante aqui) de tentar ensinar a pronúncia do meu nome pra alguma pessoa de um país aleatório. A menina era uma chinesa e me surpreende que com tantas variações de entonação pra sons que deveriam ser o mesmo (ma ma ma ma), ela ainda tenha tido muita dificuldade. E não conseguiu no fim das contas.

É claro que eu não facilito, ensino a pronúncia recifense da coisa, o r soprado, essa fricativa uvular surda (ou seria velar?), quase uma brisa terminal no primeiro entressílabo, mas é assim que tem que ser. Tem paulista demais aqui no Japão pra espalhar o dialeto deles, eu tenho que manter o nosso.

Marconi, Marconi, Marconi, Marconi. Com r de car(em inglês), r paulista, sem r nenhum, proparoxítona, oxítona, cada um fala de um jeito, tanto que quase me sinto parte do maldito léxico chinês. Já me peguei desejando ter um nome mais simples em momentos de fraqueza. Como fazia quando era criança e ouvia as milhares de piadinhas sobre o meu sobrenome. Violinos, por favor: sim, eu sofri bullying por ter um nome que parece um sobre-nome e um sobrenome esquisito de um personagem de um clássico programa mexicano.

Pra você ver, caro leitor, como criança é besta. Agora que eu sou esse pilar de otimismo é que posso ver que eu deveria é ter rido dos Joãos da Silva, dos Pedros Souza, das Marias Carvalho, dos Rafaeis Santos (que de santos não tinham nada). Queridos, eu sou Marconi Madruga. Não preciso passar por processos internos existencialistas nem comprar livro de auto-ajuda pra descobrir que eu sou único e insubstituível: tá registrado em cartório esse fato. Quando os laços de amizade estiverem esquecidos em uma caixa empoeirada na garagem, quem escutar meu nome vai saber que sou eu. E o nome de vocês vai virar som ambiente pro café da manhã.

Queria iniciar um movimento contrário. Que os "Um Dois Três de Oliveira Quatro" da vida se encham de orgulho e que os Brunos Freitas e as Anas Fernandes corram pro cartório pra mudar seu nome pra, sei lá, Se7e Belo.  Pra que você entre no google, ponha seu nome e veja milhares de informações relevantíssimas sobre VOCÊ, ser único e insubstituível e... opa, calma aí, tão dizendo aqui que sou engenheiro químico........

MALDITO SEJA, HOMÔNIMO PAI!