sexta-feira, 1 de abril de 2011

Aftershocks: Retorno

Acabo de chegar em casa. No aeroporto, a única coisa estranha foi ver o cara na minha frente ter a bagagem completamente aberta e revistada, enquanto a mim só me perguntaram se o telefone que eu tinha escrito no formulário da alfândega era da universidade. Eu respondi: "Não, é meu celular" e o cara me deixou passar sem pestanejar. Me senti acolhido, me senti diferente dos outros estrangeiros que tiveram que pegar filas diferentes e dar detalhes sobre sua bagagem. Por isso digo que acabo de chegar em casa.
Os trens estavam cheios, como sempre. Vim pelo caminho mais longo pra pagar menos. No fim das contas a diferença de preço é tão pequena que me senti pirangueiro. Nos trens, a única coisa diferente foi ver anúncios no visor sobre quais linhas não estavam funcionando por conta de blecaute e/ou terremoto. Nenhuma das linhas grandes, nenhuma das minhas linhas foi afetada ainda bem. Depois de passar 1 mês em Recife, é estranho voltar pra um lugar tão diferente, e saber o caminho de cor, sem pestanejar nem uma vez. Por isso digo que acabo de chegar em casa.
Depois de 3 trens e táxi, foi impossível não segurar um sorriso quando vislumbrei a porta de soshigaya. Imaginar a cara dos meus amigos, olhar de novo pelo vidro da cafeteria (cafofa, para os íntimos) à procura de alguém conhecido. Chequei novamente se eu lembrava a senha da minha caixa de correio. Estavam lá no lounge. Kaori, Maurício, Maha e Kaveh, os bravos que não tinham abandonado o barco. Meus heróis. Trouxe nego bom pra eles. Sentamos e assistimos "Synecdoche, New York" (recomendo). Eu já tinha visto, mas não importa, eu vejo de novo. Afasta meus fantasmas. Por isso digo que acabo de chegar em casa.
E meu quarto me recebeu bem. Estranho foi estar arrumado. Acho que Kaori deve ter passado por aqui e dado uma ajeitadinha. Amanhã tudo recomeça. Agora eu só preciso dormir. Estou muito cansado, sabem, é que acabei de chegar em casa.